Wednesday, June 25, 2008

Mostra de Arte japonesa


No dia 23 fomos à abertura da Mostra de Arte Japonesa, que é parte das comemorações dos 100 anos da imigração japonesa ao Brasil.
Maravilhosas as obras!

Saturday, June 21, 2008

Eu, por mim mesma

Sou a Eliana, que nasceu no interior do estado do Paraná, que tem quatro irmãos e dois filhos, que estudou na escola rural Martim Afonso de Sousa, que no trajeto diário de 4 anos para a escola assistiu ao asfaltamento da saída para Guaíra, que presenciou a mecanização das terras para a produção de soja, que viu as queimadas e a fuga dos preás... que adorava o cheiro da hortelã sendo ceifada pelos alfanges e que assistiu na escola ao primeiro filme da sua vida "Se meu fusca falasse", que escorregava nos barrancões para o delírio da mãe que tinha que lavar as roupas vermelhas da terra roxa. Que catava vaga-lumes cantando "bagalém tem tem" enquanto as vizinhas rezavam as novenas... que brincava de anel, de mês de boca de forno... que viu papai-noel de sobretudo preto e não vermelho, e depois com túnica branca, no breu da noite, perguntando entre dentes sobre nós.... que descobriu o ninho que o coelhinho tinha feito no meio das roupas da nona... que teve uma catequista de nome Dóris inspiração para o nome da própria filha, que levou soco no estômago da Fátima, mas que não se desgrudava dela, que ficava incrédula sobre a chegada do ano dois mil, pois lá, estaria com 33 anos, imaginem!! Que soltava barquinhos de papel na enxurrada com os irmãos e fazia pelotas de argila e colava pétalas de gerânios nas unhas! Sou aquela que comeu goiaba e ingá e mamão e morango e lima da pérsia colhidos do próprio pé, sem lavar fruta nem mão... que apreciava demais o pomar do seu Pedro, com suas poncãs imensas, que ficou com dó do Antônio Carlos quando ele apanhou por ter se cortado com a enxada, que achou poética a inédita geada de 73 que detonou o cafezal do nono... procurava pedrinhas coloridas no monte de areia e q viu a mãe ir ao hospital com vestido verde de bolinhas brancas para ter a irmã “meio-gêmea”... que foi à escola de saia de pregas e camisa branca de gola na garupa da bicicleta do Evi e que tinha pavor do prof. Paschoal, diretor austero que conferia a cor das meias... a que ouvia a rádio Jornal, e não só isso, participava dos programas ao vivo, acreditem. Que achava o máximo a calça Lee da tia Luiza... que teve vestido de kombi e tirou foto com o rádio...
A menina que foi ao casamento da Teresa com o Auro, que conheceu a senhorita Shinoda, corcunda por conseqüência da Bomba Atômica, que amava as sempre-vivas naquela chácara a caminho da escola... que atravessou pinguela para ir ao velório do coleguinha de escola que morreu de crupe... que erguia as folhas da violeteira para conferir as violetas e que era apaixonada pelo pé de jasmim, e que, por outro lado, não simpatizava com o pé de marmelo muito menos com os de pêssego... que ouviu o avô tocar o Hino Nacional com folha de pêssego, assim como também o louro cantando o mesmo Hino, que ouvia rádio e repartia a mangueira de ouvido com os irmãos, pacificamente, pelo que se lembra... que ouvia com admiração a meia dúzia de compactos de vinil que o pai obteve a duras penas... que se surpreendeu com o primeiro supermercado "pegue e pague" da cidade, que viu voarem panfletos do mdb em prol do Koite Dodo, que observava a quilômetros os cortejos de miniaturas de carros rumo ao cemitério, que esquartejava grilos e fazia grinaldas com flores de café, e que comia o café ainda vermelho, porque era dulcíssimo, que ganhou como prêmio de maior cdf da história da antes mencionada escola uma linda boneca toda de plástico, e um livro chamado O gato azeviche que não canso de procurar sem encontrar, que até hoje não se conforma com aquele 99 atribuído pela prof. Tereza na prova só porque escreveu muinto e não muito, que tomou capilé e comeu bolo com confeitinhos coloridos, que usou vestido de xadrezinho laranja e azul, coisa mais linda do mundo, e segurou o canudo de conclusão do primário para a foto eternizante... que passou a infância cercada de pessoas maravilhosas, simples, que conversavam horas na roda de chimarrão... sou a menina que acompanhava a mãe quando ia à mina lavar roupa com a dona Isabel, que se encantava com as libélulas que voavam sobre o laguinho, que catava contas para fazer colares e que ficava a tarde toda por ali, só de companhia. Que conheceu a taboa e o chapéu-de-couro, e o funcho e a erva-doce, e dezenas de outras espécies. Que com cesta de vime, acompanhava o nono na colheita de uva niágara do parreiral que dividia o terreno do lado sul, enquanto ao norte a divisa era marcada por pés de araucária. Quanto ao lado leste, imensos abacateiros margeavam a estrada poeirenta onde raras vezes no dia se elevava o pó vermelho por conta da passagem de carros... Que catava caramujos no meio do cafezal e ouvia neles o som do mar desconhecido, do qual nem foto havia visto... que ouvia O guarani na abertura d’A voz do Brasil -“Em Brasília, 19 horas” - e que se calava quando as mulheres ouviam a radionovela. Que pegou gosto pela leitura por ver a mãe lendo A pata da gazela, Éramos seis e outros títulos (de onde os emprestava??). Que quis queimar etapas na escola por não gostar de fazer fumaça de trator, pois já tinha a coordenação motora adequada para a caligrafia. Que declamava o “Ich bin kleine” e brincava de Tango tango tango morena é do carrapicho... lia Seleções e Anuário evangélico... pintava com as canetinhas Silvapen de seis cores e molhava o lápis de cor na língua para obter uma tonalidade mais vibrante... que conheceu a cor de maravilha e a cor de abóbora... A menina que muitas vezes precisava de um “acabamento” após o banho... que convivia com o ruído forte do gerador de eletricidade e que via a luz se esvair aos poucos até apagar-se sem interruptor... (dizia o avô que a vida também se esvai dessa forma...) Que quando se feria e o mertiolate não resolvia, entregava-se ao santo “restofoida, cregofoida...” que tudo curava... a que presenciou o milagre de um papel mergulhado num líquido se transformar em fotografia em branco e preto... um estúdio dentro de casa, muitas peças, muitos recipientes, papel branco...líquidos, e a revelação da imagem! Fantástico!!Monóculos - coisa mágica! Caixas de fotografias!! E a televisão? O telefone?? O que eram?!

Friday, June 20, 2008

Quintana

Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...
Espelho Mágico

O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.
Caderno H
Se eu amo o meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?
Caderno H

Sunday, June 15, 2008

Descobrindo

que todos somos falíveis, mas que alguns se consideram
acima de Deus, e insistem em fazer a sua própria justiça,
impondo a vingança de forma vil, irracional e injusta.

Descobrindo

que pessoas gastam precioso tempo de suas vidas preocupadas
mais com o mal dos outros do que com o próprio bem.

Descobrindo

que viver remoendo pretéritos enterrados é uma espécie
de lazer para muitos indivíduos...

Descobrindo tantas outras coisas...

Saturday, June 14, 2008

Com o frases como essa ficam por aí anônimas?
Vou apropriar-me!! hehe

"Deixe que as pessoas
falem de ti com ciumes,
pois a flor preciosa
necessita de estrume
para se tornar
mais viçosa."




Friday, June 13, 2008

Os compositores colocam no início
das partituras indicações sobre o tempo e o espírito com que devem ser tocadas: Allegro vivace, Largo, Allegretto, Lantgsam und sehnsuchtsvoll, Andante espressivo, Grave, etc. Acho que os escritores deveriam fazer a mesma coisa com seus textos. As pessoas lêem mal porque não sabem o ritmo e o espírito do texto.

Rubem Alves


"Sou o que sou:
o silêncio após o mas
e o ou

fui o que fui:
um ruído entre
o constrói e o rui."

José Paulo Paes

"Há dois tipos de pessoas: as que fazem as coisas e as que ficam com os louros. Procure ficar no primeiro grupo: há menos competição lá."
(Indira Gandhi)

"A inveja é um vírus q se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes, O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde"
(Zuenir Ventura -Inveja - Mal Secreto )
.

Thursday, June 12, 2008

Perdoar é próprio dos ânimos generosos, mas guardar rancor é coisa de homens ásperos e cruéis, baixos e de casta ruim; isto a mesma natureza o mostra nos animais mudos.

(Juan Luis Vives, in 'Introdução à Sabedoria')



Um homem nunca deve envergonhar-se por reconhecer que se enganou, pois isso equivale a dizer que hoje é mais sábio do que era ontem.

(Jonathan Swift)

Os preguiçosos estão sempre a falar do que tencionam fazer, do que hão-de realizar; aqueles que verdadeiramente fazem alguma coisa não têm tempo de falar nem sequer do que fazem.

(Goethe)

Pessoa (ma-ra-vi-lho-so)

"Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?"

"Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer."

"Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta."

Sunday, June 8, 2008

Solidão

 Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar ou fazer sexo ...
Isto é carência

Solidão não é o sentimento que experimentamos
pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...
Isto é saudade

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe,
as vezes, para realizar os pensamentos...
Isto é equilíbrio

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe
compulsoriamente para que revejamos a nossa vida ...
Isto é principio da natureza

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado
Isto é circunstância
Solidão é muito mais que isso.

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa Alma.


FRANCISCO BUARQUE DE HOLANDA




Friday, June 6, 2008

Considerações sobre a Vingança

Considerações sobre a Vingança










A vingança é uma espécie de justiça bárbara, de tal maneira que quanto mais a natureza humana se inclinar para ela, tanto mais a deve a lei exterminá-la. Porque a primeira injúria não faz mais que ofender a lei, ao passo que a vingança da injúria põe a lei fora do seu ofício. De certo, ao exercer a vingança, o homem iguala-se ao inimigo; mas, passando sobre ela, é-lhe superior; porque é próprio do príncipe perdoar. E tenho a certeza que Salomão disse: «É glorioso para um homem desdenhar uma ofensa». O que passou, passou, e é irrevogável; os homens prudentes já têm bastante que fazer com as coisas presentes e vindouras; não devem, portanto, preocupar-se com bagatelas como o trabalhar em coisas pretéritas.
Não há homem que faça o mal pelo mal, mas apenas na perseguição do lucro, do prazer ou da honra, etc. Porque hei-de ficar ressentido com alguém, apenas pela razão de que ele mais ama a si próprio do que a mim? E se alguém me fez mal, apenas por pura maldade, então, esse é unicamente como a roseira e o cardo que picam e arranham apenas porque não podem de outra forma proceder. A espécie mais tolerável de vingança ainda é aquela que vai contra ofensas que na lei não encontram remédio; mas, por isso, acautelai-vos, investigando se realmente não haverá para cada ofensa uma punição legal; caso contrário, o vosso inimigo ganhará vantagem, porque aliado à lei, terá dois votos contra vós. Alguns, quando exercem vingança, desejam que a pessoa saiba donde partiu o golpe. Isso é mais generoso, porque o prazer parece estar não tanto em arremessar o golpe como em obrigar o inimigo a arrepender-se, mas os covardes, baixos e vis, são como a seta que voa na escuridão.

Francis Bacon, in 'Ensaios - Da Vingança'

Filosofia de almanaque

De almanaque de farmácia mesmo:

Diferença entre Ciúme, Ambição e Inveja.

Qual dos três é mais nocivo?

Aposte!!

É a inveja!

Vejamos:
Ciúme: consiste em querer preservar o que tenho.

Ambição: consiste em desejar o que ainda não tenho.

Inveja: consiste em não querer que o outro tenha!

É isso aí! Há pessoas que gastam mais tempo coupando-se de cuidar do mal dos outros do que do seu próprio bem! Terrivel!

Thursday, June 5, 2008

Viva e depois esqueça

Trechos sobre a importância de se esquecer coisas que nos são prejudiciais:

"...algumas pessoas simplesmente são apagadas da memória como filmes desimportantes. Sem maldade, apenas esmaecem até desaparecer.
É impossível nos lembrar de todos os que passaram por nós ou sermos lembrados por todos: gente demais, espaço de menos.
Da mesma forma que minha história está repleta de coadjuvantes e figurantes que, irrefletidamente, se auto-proclamavam protagonistas, eu devo ser a personagem cômica da história de alguuém...
...só nos desenroscamos e seguimos nosso rumo natural, quando eliminamos alguns fatos e seres que, do contrário, nos prenderiam aos emaranhantes aguapés de recordações e sentimentos tão marcantes quanto inúteis...
O passado deve ser mantido no lugar dele e não trazido pregado as costas como um fardo com os erros cometidos e alegrias nunca mais revividas.
Para ser feliz é necessário pouca coisa além se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas.
É útil também jamais perder de vista um detalhe, afixá-lo no espelho do banheiro, repetir como um mantra: absolutamente nada é pra sempre, nem sentimentos que parecem ser. Todo mundo passa..."

(Não sei de quem é a autoria).


Wednesday, June 4, 2008

O desafio das linguagens

O desafio das linguagens do século XXI para a aprendizagem na escola.

Palestra com o prof. Pedro Demo.

Alguns recortes:

(com ironia) "A aula é uma coisa tão boa que só resta ao aluno copiar."

Sobre a fluência tecnológica, PD afirma aquilo que já sabemos: "Crianças são nativas; adultos são imigrantes."

Tuesday, June 3, 2008

A coisa mais difícil do mundo é conhecermo-nos a nós mesmos, e o mais fácil é falar mal dos outros.
(Tales de Mileto)

Não és bom porque te louvam, nem desprezível porque te censuram; és o que és, e o que poderão dizer de ti, não te fará melhor do que vales aos olhos de Deus.

(Autor desconhecido)

Qualquer um pode zangar-se, pois isso é muito simples. Mas zangar-se com a pessoa adequada, no grau exato, no momento oportuno, com o propósito justo e de modo correto, isso não é tão fácil.
(Aristóteles - Ética a Nicómaco)

Somos mais pais do nosso futuro do que filhos do nosso passado.
(Miguel de Unamuno)

Os preguiçosos estão sempre a falar do que tencionam fazer, do que hão-de realizar; aqueles que verdadeiramente fazem alguma coisa não têm tempo de falar nem sequer do que fazem.
(Goethe)

Sunday, June 1, 2008

ESPERANÇA

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
- ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
- O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

(Mário Quintana)