Friday, January 28, 2011

Rosa

Recebi a linda imagem e a frase de minha prima Sandra, que, embora esteja longe geograficamente, está muito perto do meu coração... ela é, como eu, apaixonada por Clarice Lispector...

Tuesday, January 25, 2011


"Gosto de pessoas e amores inteiros...
Porque não sei me dar pela metade nem por partes.
Eu Transbordo
! (CC)

Monday, January 24, 2011

Mas da lua ela não tinha receio porque era mais lunar que solar e via de olhos bem abertos nas madrugadas tão escuras a lua sinistra no céu. Então ela se banhava toda nos raios lunares, assim como havia os que tomavam banhos de sol. E ficava profundamente límpida.(CL - Livro dos prazeres)



Sunday, January 23, 2011

Domingo

"Domingo é o dia dos ecos – quentes, secos, e em toda a parte zumbidos de abelhas e vespas, gritos de pássaros e o longínquo das marteladas compassadas – de onde vêm os ecos de domingo? Eu que detesto domingo por ser oco." (CL - Água viva)



Cada vida é sensível...


A maior decepção




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Saturday, January 22, 2011

Quando eu nasci - Sebastião da gama


Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...

Friday, January 21, 2011

Pedro, o homem da flor


Foto By AC
Fragmento: "... (Pedro) sabe de coisas. Sabe, por exemplo, Que a rosa branca encanta as mulheres morenas, enquanto as louras, invariavelmente, preferem rosas vermelhas. Fiel às suas observações, é incapaz de oferecer rosas brancas às mulheres louras, ou vice versa. Se entra num bar e as flores de sua cesta são todas de uma só cor, não coincidindo com o gosto comum às mulheres presentes, nem chega a oferecer sua mercadoria. Vira as costas e sai em demanda de outro bar, onde estejam mulheres louras, ou morenas, se for o caso."

Foto By AC
Texto completo:

Pedro - o homem da flor


Se você se enquadra entre aqueles que se dizem boêmios ou, pelo menos, entre aqueles que costumam ir, de vez em quando, a um desses muitos barzinhos elegantes de Copacabana, é provável que já tenha visto alguma vez Pedro - o homem da flor. Se, ao contrário, você é de dormir cedo, então não. Então você nunca viu Pedro - o homem da flor - porque jamais ele circulou de dia não ser lá, na sua favela do Esqueleto.

Quando anoitece, Pedro pega a sua clássica cestinha, enche de flores, cujas hastes teve o cuidado de enrolar em papel prateado, e sai do barraco rumo à Copacabana, onde fica até alta madrugada, entrando nos bares - em todos os bares, porque Pedro conhece todos - vendendo rosas. Quando a cesta fica vazia, Pedro conta a féria e vai comer qualquer coisa no botequim mais próximo. Depois volta para casa como qualquer funcionário público que tivesse cumprido zelosamente sua tarefa, na repartição a que serve.

Conversei uma vez com Pedro - o homem da flor. Já o vinha observando quando era o caso de estar num bar em que ele entrava. Vira-o chegar e dirigir-se às mesas em que havia um casal. Pedia licença e estendia a cesta sobre a mesa. Psicologia aplicada, dirão vocês, pois qual homem que se nega a oferecer flor à moça que o acompanha, quando se lhe apresenta a oportunidade? Sim, talvez Pedro seja um bom psicólogo mas, mais que isso, é um romântico. Quando o homem mete a mão no bolso e pergunta quanto custa a flor, depois de ofertá-la à companheira, Pedro responde com um sorriso:

- Dá o que o senhor quiser, moço. Flor não tem preço.

Como eu ia dizendo, conversei uma vez com Pedro e, desse dia em diante, temos conversado muitas vezes. Ele sabe de coisas. Sabe, por exemplo, Que a rosa branca encanta as mulheres morenas, enquanto as louras, invariavelmente, preferem rosas vermelhas. Fiel às suas observações, é incapaz de oferecer rosas brancas às mulheres louras, ou vice versa. Se entra num bar e as flores de sua cesta são todas de uma só cor, não coincidindo com o gosto comum às mulheres presentes, nem chega a oferecer sua mercadoria. Vira as costas e sai em demanda de outro bar, onde estejam mulheres louras, ou morenas, se for o caso.

O pequeno buquê de violetas - quando as há - é carinhosamente arrumado pelas suas mãos grossas de operário, assim como também as hastes prateadas das rosas. Saibam todos os que fizeram os fregueses de Pedro - o homem da for - que aquele papel prateado artisticamente preso na haste das rosas e que tanto encantava as moças foi antes um comum papel de maços de cigarros vazios, que o próprio Pedro recolheu por aí, nas suas andanças pela madrugada.

Sei que Pedro ama sua profissão, tira dela o seu sustento, mas acima de tudo esforça-se por dignificá-la. Não vê que seria um mero mercador de flores! Lembro-me da vez em que, entrando pelo escuro do bar, trouxe nas mãos a última rosa branca para a moça morena que bebia calada entre dois homens. Quando as três levantaram a cabeça ante a sua presença, pudemos notar - eu, ele e as demais pessoas presentes - que a moça era linda, de uma beleza comovente, suave, mas impressionante. Pedro estendeu-lhe a rosa sem dizer uma palavra e, quando um dos rapazes quis pagar-lhe, respondeu que absolutamente era nada. Dava-se por muito feliz por Ter tido a oportunidade de oferecer aquela flor à moça que lá estava. E sem ousar olhar novamente pra ela, e disse:

- Mais flores eu daria se mais flores eu tivesse!

Assim é Pedro - o homem da flor. Discreto, sorridente e amável, mesmo na sua pobreza. Vende flores quase sempre e oferece flores quando se emociona. Foi o que aconteceu na noite em que, mal chegado à Copacabana, viu o povo que rodeava o corpo do homem morto, vítima de um mal súbito. Só depois que soube que Pedro o conhecia do tempo em que era porteiro de um bar no Lido. Na hora não. Na hora ninguém compreendeu, embora todos se comovessem com seu gesto, ali abaixado a colocar todas as suas flores sobre as mãos do homem morto. Pois foi o que Pedro fez, voltando em seguida para a sua favela do Esqueleto.

Naquela noite, não trabalhou.

Stanislaw Ponte Preta,
Dois amigos e um chato, Moderna

When I look into your eyes



When I Look Into Your Eyes
(Firehouse)

I see forever when I look in your eyes
You're all I ever wanted I always want you to be mine

 Let's make a promise 'till the end of time
We'll always be together, and our love will never die

So here we are face to face and heart to heart

I want you to know we will never be apart
Now I believe that wishes can come true
'Cause I see my whole world. I see only you

When I look into your eyes
I can see how much I love you
And it makes me realize
When I look into your eyes
I see all my dreams come true
When I look into your eyes

I've looked for you all of my life
Now that I've found you, we will never say goodbye
I can't stop this feeling, there's nothing I can do

'Cause I see everything, when I look at you

When I look into your eyes
I can see how much I love you
And it makes me realize
When I look into your eyes
I see all my dreams come true
When I look into your eyes

Ohhhh

When I look into your eyes
I can see how much I love you and it makes me realize
When I look into your eyes
We will always be together, and our love will never die

When I look into your eyes
I see all my dreams come true, when I look into your eyes
When I look into your eyes




Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito.
Tenho me fatigado tanto todos os dias
Vestindo, despindo e arrastando amor
Infância
sóis e sombras.
Vou dizer coisas terríveis à gente que passa. Dizer que não é mais possível comunicar-me.
[Em todos os lugares o mundo se comprime.] Não há espaço para sorrir ou bocejar de tédio. [...] Os homens amando sem amar, ah, triste amor desperdiçado
Desesperançado amor... Serei eu
A revelar o escuro das janelas, eu Adivinhando a lágrima em pupilas azuis
Morrendo a cada instante, me perdendo?
Iniciei mil vezes o diálogo.Não há jeito.
Preparo-me e aceito-me
Carne e pensamento desfeitos[...]

Roteiro do Silêncio - Hilda Hilst


" Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calmo e perdoo logo.
não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre."  (Clarice Lispector)

Precisamos nos parecer

É preferível

Ano Novo

Thursday, January 13, 2011

Serenata


"Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,e a dor é de origem divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo"

Cecília Meireles